Giovanni
Bombardelli Gabe – Psicologia e Saúde Coletiva – 31/05/2016
Relatório
sobre visita guiada a CAPS AD III
O CAPS AD III, especializado em
Álcool e outras Drogas, aparenta ter um funcionamento bastante diverso,
dependendo principalmente do posicionamento político dos funcionários. Sabemos
que existe uma lei que defende a política da Redução de Danos, mas vemos na
prática muita dificuldade para os trabalhadores apoiarem de fato o uso de
drogas moderado, recreativo ou consciente. Os CAPS AD III funcionam em três
níveis de acolhimento, super-intensivo, intensivo e semi-intensivo; esses
níveis diferenciam as demandas dos usuários. Aos que vão com o propósito de
internação e abstinência, contendo a fissura das drogas com remédios pesados e
recuperando as malezas físicas, são usuários do superintensivo, e podem ficar
até uma quantidade limitada de dias, não mais que uma semana pelo que entendi.
Para os outros níveis de acolhimento, o usuário possui mais autonomia e
liberdade para combinar que tipo de tratamento gostaria de ter, podendo mesmo
usar o território do CAPS como um lugar de convívio e suprimento de
necessidades básicas com a alimentação, a higiene e o sono.
Acredito que o maior problema de
trabalhar sobre a perspectiva da abstinência é lidar com o usuário viciado que
está sempre recaindo. Além de criar um sintoma de culpa, erro, arrependimento
aos recaídos, fazendo-os sentir mal por voltar ao CAPS, há aqueles que utilizam
o sistema só para ter um período de cura e recuperação, para depois voltar ao
uso. O CAPS deveria pensar não só formas de responsabilizar o sujeito pelos
comportamentos prejudiciais à saúde (sintoma de um trabalho focado no Biopoder),
mas de empoderamento e criação de resistências dentro da subjetividade do
usuário. Partindo do pressuposto de que não é apenas a droga o problema, mas
também os agenciamentos que a envolve (higiene, estudos, trabalho,
relacionamentos, amizades, festas, cultura), o ambiente do CAPS AD poderia ter
não só mais funcionários da Psicologia, como das Artes, do Teatro e da Dança.
Se tirássemos a centralidade do saber médico-psiquiátrico, ou das noções de
trauma e desejo psicanalíticas nas escutas terapêuticas, e construíssemos um
espaço em que o foco central da arte seja da resistência pela criação, uma rede
de encadeamentos se produziria daí então. Precisamos despir do preconceito de
que o drogado é ineficiente, improdutivo, só por não se adaptar à rotina comum
de trabalho, e atribuir desvios, outros sentidos, ao uso das substâncias
psicoativas.
Logo,
a impressão da visita do CAPS-AD foi de ser um espaço em que a centralidade é
do saber médico, subjacente o psicológico, e que facilmente é utilizado como um
mecanismo de ação do Biopoder, a fins de tentar salvar os sujeitos desajustados
da nossa sociedade para que retornem a serem eficientes ao mercado de trabalho.
Relatório
visita à UBS
Já, como segundo lugar a irmos, a
visita a UBS aparentou ser um lugar mais centralizado ainda no saber médico do
que o CAPS AD. Com ares hospitalares, jalecos brancos, encaminhamentos pela
central, a UBS é um serviço em que visa dar conta de qualquer paciente no
território, dando tratamentos psiquiátricos mesmo àqueles que dependeriam de
uma terapia psicológica, visto que o vínculo ao mesmo ambiente, e aos mesmos
funcionários, se torna um motivo importante para manter o paciente na mesma
UBS, no entanto há muita troca de funcionários devido a maioria ser estagiários
da universidade.
A
Unidade Básica de Saúde atende principalmente as doenças comuns, que acontecem
sazonalmente ou periodicamente na população, como gripes, crises de ansiedade,
depressão, entre outras... Sendo assim, a impressão passada é que a UBS é um
centro de encaminhamento entre os usuários e as medicações farmacológicas.

