terça-feira, 31 de maio de 2016

Relatório Visitas CAPS AD III e UBS

Giovanni Bombardelli Gabe – Psicologia e Saúde Coletiva – 31/05/2016
Relatório sobre visita guiada a CAPS AD III

            O CAPS AD III, especializado em Álcool e outras Drogas, aparenta ter um funcionamento bastante diverso, dependendo principalmente do posicionamento político dos funcionários. Sabemos que existe uma lei que defende a política da Redução de Danos, mas vemos na prática muita dificuldade para os trabalhadores apoiarem de fato o uso de drogas moderado, recreativo ou consciente. Os CAPS AD III funcionam em três níveis de acolhimento, super-intensivo, intensivo e semi-intensivo; esses níveis diferenciam as demandas dos usuários. Aos que vão com o propósito de internação e abstinência, contendo a fissura das drogas com remédios pesados e recuperando as malezas físicas, são usuários do superintensivo, e podem ficar até uma quantidade limitada de dias, não mais que uma semana pelo que entendi. Para os outros níveis de acolhimento, o usuário possui mais autonomia e liberdade para combinar que tipo de tratamento gostaria de ter, podendo mesmo usar o território do CAPS como um lugar de convívio e suprimento de necessidades básicas com a alimentação, a higiene e o sono.
            Acredito que o maior problema de trabalhar sobre a perspectiva da abstinência é lidar com o usuário viciado que está sempre recaindo. Além de criar um sintoma de culpa, erro, arrependimento aos recaídos, fazendo-os sentir mal por voltar ao CAPS, há aqueles que utilizam o sistema só para ter um período de cura e recuperação, para depois voltar ao uso. O CAPS deveria pensar não só formas de responsabilizar o sujeito pelos comportamentos prejudiciais à saúde (sintoma de um trabalho focado no Biopoder), mas de empoderamento e criação de resistências dentro da subjetividade do usuário. Partindo do pressuposto de que não é apenas a droga o problema, mas também os agenciamentos que a envolve (higiene, estudos, trabalho, relacionamentos, amizades, festas, cultura), o ambiente do CAPS AD poderia ter não só mais funcionários da Psicologia, como das Artes, do Teatro e da Dança. Se tirássemos a centralidade do saber médico-psiquiátrico, ou das noções de trauma e desejo psicanalíticas nas escutas terapêuticas, e construíssemos um espaço em que o foco central da arte seja da resistência pela criação, uma rede de encadeamentos se produziria daí então. Precisamos despir do preconceito de que o drogado é ineficiente, improdutivo, só por não se adaptar à rotina comum de trabalho, e atribuir desvios, outros sentidos, ao uso das substâncias psicoativas.
Logo, a impressão da visita do CAPS-AD foi de ser um espaço em que a centralidade é do saber médico, subjacente o psicológico, e que facilmente é utilizado como um mecanismo de ação do Biopoder, a fins de tentar salvar os sujeitos desajustados da nossa sociedade para que retornem a serem eficientes ao mercado de trabalho.

Relatório visita à UBS

            Já, como segundo lugar a irmos, a visita a UBS aparentou ser um lugar mais centralizado ainda no saber médico do que o CAPS AD. Com ares hospitalares, jalecos brancos, encaminhamentos pela central, a UBS é um serviço em que visa dar conta de qualquer paciente no território, dando tratamentos psiquiátricos mesmo àqueles que dependeriam de uma terapia psicológica, visto que o vínculo ao mesmo ambiente, e aos mesmos funcionários, se torna um motivo importante para manter o paciente na mesma UBS, no entanto há muita troca de funcionários devido a maioria ser estagiários da universidade.

A Unidade Básica de Saúde atende principalmente as doenças comuns, que acontecem sazonalmente ou periodicamente na população, como gripes, crises de ansiedade, depressão, entre outras... Sendo assim, a impressão passada é que a UBS é um centro de encaminhamento entre os usuários e as medicações farmacológicas. 

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