terça-feira, 24 de maio de 2016

relato visitas!

A experiência de ir conhecer um CAPS AD III, realizada no dia dez de maio, foi interessante por nos colocarmos em contato com o cotidiano de trabalho desse ambiente, até então só conhecido pelas leituras. Ao sairmos do nosso lugar-tão-comum – as paredes da Universidade -  e nos deslocarmos pela cidade até o serviço experienciamos um cotidiano outro, feito pelos trabalhadores de saúde mental e, o mais importante, nos propomos a ouvi-los numa tentativa de pensar como opera a teoria – por vezes tão complicada de se entender – na prática.
            A visita foi enriquecedora muito porque tivemos o privilégio de sermos guiados pela trabalhadora do serviço, enfermeira do turno noturno da qual não me recordo o nome agora. Ela primeiramente relatou um pouco do funcionamento do Caps Ad, dando ênfase ao turno noturno no qual ela afirmou que era aquilo que sabia: na manhã o funcionamento era/ é outro. Segundo ela, no turno noturno é muito mais calmo, não há tantos usuários entrando e saindo e é um momento em que é possível conversar com aqueles e aquelas que estão passando a noite lá. Isso possibilita uma relação mais horizontal entre trabalhadorxs e usuárixs, isso quando não há muito gente internada.  Lembro que segundo ela varia bastante o número de pessoas que lá pousam, o que faz com que o ritmo de trabalho seja cada dia um. Outro ponto que me chamou atenção foram as oficinas, com temas diversos e interessantes, vinculando os usuários ao espaço e, o mais interessante, os trabalhadores estão abertos a ouvir as demandas e pensar temas que capturem a atenção dos usuários e os motivem a participar. A enfermeira até comentou conosco, timidamente, que ela tem interesse em realizar uma oficina sobre espiritualidade, além da que ela já realiza sobre o tema das relações familiares.
            Enfim, a visita foi enriquecedora para sentirmos como se dá a dinâmica do trabalho de uma equipe multidisciplinar no processo de cuidado – que naquele ambiente mostrava ter uma relação construtiva entre as equipes de médicos, residentes, enfermeiros, técnicos de enfermagem, segurança, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais. Ainda que a funcionária que nos recepcionou tenha dito que existem funcionamentos diferentes entre as equipes diurna e noturna, pelas demandas de trabalho diferentes. De uma maneira geral posso definir a visita como inspiradora, seja por aqueles que trabalham e também pela estrutura, grande e acolhedora.
            Quanto à visita à UBS Santa Cecília tivemos a oportunidade de conversarmos com a médica e também professora  e pesquisadora da Faculdade de Medicina que lá trabalha do turno vespertino/noturno. Nesse encontro conversamos sobre o território de abrangência da UBS e como as equipes realizam seu cotidiano. A professora nos deixou apar de alguns dados obtidos através de pesquisas nesse campo, como quais são os diagnósticos mais frequentes, o acompanhamento de doenças crônicas. Além disso afirmou como os princípios que norteiam o trabalho – universalidade, integralidade, territorialidade, longitudinalidade e visão generalista do sujeito.
            Pensamos juntos também sobre a inserção dos psicólogos na Atenção Básica e como que esses profissionais poderiam contribuir para a construção de um cuidado atento às singularidades dos sujeitos. Ainda que ela tenha afirmado que cada trabalhador atue timidamente como psicólogos, na tentativa de minimizar o sofrimento humano, seria essencial a presença de alguém que estivesse ali exercendo essa função diretamente.

            Diferentemente da primeira visita, a estrutura parece não dar conta da demanda. Nossa visita manteve-se na conversa com a profissional e não tivemos a oportunidade de acessar as dependências da unidade de saúde, para que pudéssemos ter uma visualização melhor da dinâmica de trabalho.

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