A experiência de ir conhecer um CAPS
AD III, realizada no dia dez de maio, foi interessante por nos colocarmos em
contato com o cotidiano de trabalho desse ambiente, até então só conhecido
pelas leituras. Ao sairmos do nosso lugar-tão-comum – as paredes da
Universidade - e nos deslocarmos pela
cidade até o serviço experienciamos um cotidiano outro, feito pelos
trabalhadores de saúde mental e, o mais importante, nos propomos a ouvi-los
numa tentativa de pensar como opera a teoria – por vezes tão complicada de se
entender – na prática.
A
visita foi enriquecedora muito porque tivemos o privilégio de sermos guiados
pela trabalhadora do serviço, enfermeira do turno noturno da qual não me
recordo o nome agora. Ela primeiramente relatou um pouco do funcionamento do
Caps Ad, dando ênfase ao turno noturno no qual ela afirmou que era aquilo que
sabia: na manhã o funcionamento era/ é outro. Segundo ela, no turno noturno é
muito mais calmo, não há tantos usuários entrando e saindo e é um momento em
que é possível conversar com aqueles e aquelas que estão passando a noite lá.
Isso possibilita uma relação mais horizontal entre trabalhadorxs e usuárixs,
isso quando não há muito gente internada.
Lembro que segundo ela varia bastante o número de pessoas que lá pousam,
o que faz com que o ritmo de trabalho seja cada dia um. Outro ponto que me
chamou atenção foram as oficinas, com temas diversos e interessantes,
vinculando os usuários ao espaço e, o mais interessante, os trabalhadores estão
abertos a ouvir as demandas e pensar temas que capturem a atenção dos usuários
e os motivem a participar. A enfermeira até comentou conosco, timidamente, que
ela tem interesse em realizar uma oficina sobre espiritualidade, além da que
ela já realiza sobre o tema das relações familiares.
Enfim,
a visita foi enriquecedora para sentirmos como se dá a dinâmica do trabalho de
uma equipe multidisciplinar no processo de cuidado – que naquele ambiente
mostrava ter uma relação construtiva entre as equipes de médicos, residentes,
enfermeiros, técnicos de enfermagem, segurança, psicólogos, nutricionistas,
terapeutas ocupacionais. Ainda que a funcionária que nos recepcionou tenha dito
que existem funcionamentos diferentes entre as equipes diurna e noturna, pelas
demandas de trabalho diferentes. De uma maneira geral posso definir a visita
como inspiradora, seja por aqueles que trabalham e também pela estrutura,
grande e acolhedora.
Quanto
à visita à UBS Santa Cecília tivemos a oportunidade de conversarmos com a
médica e também professora e
pesquisadora da Faculdade de Medicina que lá trabalha do turno
vespertino/noturno. Nesse encontro conversamos sobre o território de
abrangência da UBS e como as equipes realizam seu cotidiano. A professora nos
deixou apar de alguns dados obtidos através de pesquisas nesse campo, como
quais são os diagnósticos mais frequentes, o acompanhamento de doenças
crônicas. Além disso afirmou como os princípios que norteiam o trabalho –
universalidade, integralidade, territorialidade, longitudinalidade e visão
generalista do sujeito.
Pensamos
juntos também sobre a inserção dos psicólogos na Atenção Básica e como que
esses profissionais poderiam contribuir para a construção de um cuidado atento
às singularidades dos sujeitos. Ainda que ela tenha afirmado que cada
trabalhador atue timidamente como psicólogos, na tentativa de minimizar o
sofrimento humano, seria essencial a presença de alguém que estivesse ali
exercendo essa função diretamente.
Diferentemente
da primeira visita, a estrutura parece não dar conta da demanda. Nossa visita
manteve-se na conversa com a profissional e não tivemos a oportunidade de
acessar as dependências da unidade de saúde, para que pudéssemos ter uma
visualização melhor da dinâmica de trabalho.
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