quarta-feira, 25 de maio de 2016

Relato da Saída de Campo ao CAPS AD III/ GHC

Essa foi a primeira vez que pisei em um CAPS. Ao chegar ao local fomos recebidas/os pela enfermeira do turno da noite. O ambiente era bem estruturado e parecia que tudo era muito novo e limpo. Inclusive, o excesso de higienização me remeteu muito ao modelo hospitalar. Tanto pelas padronizações, quanto pela limpeza do local. No entanto, o que diferenciava – minimamente – era a presença de alguns artesanatos e pinturas feitas pelas/os próprias/os usuárias/os.

O sentimento com que saí de lá foi bem paradoxal. O discurso biomédico reproduzido pela trabalhadora do local me levou a pensar que os princípios norteadores dos CAPS, muitas vezes, não estão postos nem na teoria. Por exemplo, o que foi mais marcante foi a questão da abstinência ser bem comum, e a redução de danos não ter sido mencionada por ela. Apenas quando questionamos, houve ponderações, mas não um consenso quanto às praticas desta lógica por todas/os que trabalham ali.

Aliás, penso que o que a turma mais sentiu foi esta desarticulação entre os turnos do dia e da noite, o que a trabalhadora colocou como um desafio para um melhor funcionamento do CAPS. Inclusive, a própria enfermeira demonstrou desconhecimento sobre as práticas que ocorriam durante o dia.

Por fim, acredito que a problemática não está calcada nos distintos paradigmas de cuidado adotado pelas/os trabalhadoras/es do CAPS. Muito pelo contrário, acredito que quanto mais forem as possibilidades e as redes de dependência, maior é a autonomia do sujeito e menor a tutela. O que penso que talvez seja problemático, é o não diálogo sobre estas práticas. E quem acaba sentindo o reflexo disso mais diretamente acaba sendo o usuário.

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