Essa foi a primeira vez que pisei em um CAPS.
Ao chegar ao local fomos recebidas/os pela enfermeira do turno da noite. O
ambiente era bem estruturado e parecia que tudo era muito novo e limpo.
Inclusive, o excesso de higienização me remeteu muito ao modelo hospitalar.
Tanto pelas padronizações, quanto pela limpeza do local. No entanto, o que diferenciava
– minimamente – era a presença de alguns artesanatos e pinturas feitas pelas/os
próprias/os usuárias/os.
O sentimento com que saí de lá foi bem
paradoxal. O discurso biomédico reproduzido pela trabalhadora do local me levou
a pensar que os princípios norteadores dos CAPS, muitas vezes, não estão postos
nem na teoria. Por exemplo, o que foi mais marcante foi a questão da
abstinência ser bem comum, e a redução de danos não ter sido mencionada por
ela. Apenas quando questionamos, houve ponderações, mas não um consenso quanto
às praticas desta lógica por todas/os que trabalham ali.
Aliás, penso que o que a turma mais sentiu
foi esta desarticulação entre os turnos do dia e da noite, o que a trabalhadora
colocou como um desafio para um melhor funcionamento do CAPS. Inclusive, a própria
enfermeira demonstrou desconhecimento sobre as práticas que ocorriam durante o
dia.
Por fim, acredito que a problemática não está
calcada nos distintos paradigmas de cuidado adotado pelas/os trabalhadoras/es do
CAPS. Muito pelo contrário, acredito que quanto mais forem as possibilidades e
as redes de dependência, maior é a autonomia do sujeito e menor a tutela. O que
penso que talvez seja problemático, é o não diálogo sobre estas práticas. E quem
acaba sentindo o reflexo disso mais diretamente acaba sendo o usuário.
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