Visita à UBS Santa Cecília
No dia 10 de maio, parte da turma visitou a UBS Santa Cecília. A turma foi recebida pela médica da família residente da UBS. Não pudemos circular muito pela Unidade, pois estava em funcionamento e muitas pessoas circulando poderia atrapalhar no andamento dos atendimentos e consultas. Fomos direto para uma sala de reuniões, onde a médica nos explicou como funciona a Unidade.
Gostei muito do jeito que ela relatou atender os pacientes que chegam na UBS. Anotei algumas falas: "Olhar a pessoa como um todo, levando em conta todo o contexto, e não só a demanda que ela traz"; "Escolher as ferramentas que são úteis para os problemas que as pessoas têm.". Além disso, ela ainda contou sobre o "sinal da maçaneta", que é o momento no qual a pessoa conta do real problema que a trouxe naquela consulta. Ela faz algum comentário quando está saindo do consultório, quando pega na maçaneta para ir embora.
Outra fala dela que me agradou muito foi quando perguntamos sobre os desafios que são enfrentados na UBS. Ela considera que o maior desafio é melhorar as tecnologias de comunicação com as pessoas, pois os diagnósticos foram muito estudados, o que resultou em muitos avanços nessa área, mas esqueceu-se da área da comunicação, que é o principal. Sem a comunicação, o diagnóstico fica incompleto.
A visita foi muito enriquecedora para mim, pois sempre tive uma imagem diferente do jeito que médicos tratam seus pacientes, muitas vezes com indiferença e descaso.
Visita ao CAPS AD III
No dia 24 de maio, parte da turma foi ao CAPS AD III visitar e observar como funciona. Ao contrário da visita à UBS, pudemos circular por todo o ambiente, pois havia poucos pacientes, devido ao turno da noite, que ficam apenas os pacientes que estão em permanência. Fomos guiados pelo espaço sem conversar muito com os pacientes que ali estavam. Não me senti muito bem com a situação, pois parecia que estávamos observando uma vida exótica do alto de nosso conhecimento acadêmico. Fiquei incomodada com este fato, pois gostaria de ter conversado mais com quem é usuário daquele serviço, imagino que teria sido mais enriquecedor ter outra visão do que acontece no CAPS.
Após esta visita guiada, fomos para uma sala, onde a enfermeira nos contou mais sobre como funcionava o processo de tratamento que acontece no CAPS.
Relatou que ninguém é mandado embora por estar sob efeito de álcool ou outra droga. Existe uma sala em que a pessoa pode permanecer até que passe o efeito, ela se adapte e se possa conversar com mais calma.
Uma fala que me agradou no discurso dela foi a seguinte: "O que importa é como a pessoa vê o seu uso de determinada droga e não a partir de um pressuposto de dependência química".
Apesar de ser um bom lugar para tratamento e os pacientes sejam bem orientados e bem cuidados, ficou evidente, através da fala da enfermeira, que o turno da noite não tem muita comunicação com o turno do dia. Ela não sabia explicar muito bem qual era a linha teórica e prática que eram usadas durante o dia e à noite ela relatou não ter atendimento, nem se a pessoa chega para ser atendida de madrugada. Os atendimentos começam pela manhã.
Também senti falta de abordar o assunto de redução de danos. Foi questionado à enfermeira, mas ela não soube explicar muito bem quais eram os métodos utilizados no CAPS AD III.
De um modo geral, a visita foi bem esclarecedora, mas ainda restaram algumas dúvidas e curiosidades. Acredito que se tivéssemos conversado com os pacientes teria sido mais rico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário